Pepsi encerra patrocínio de festival após anúncio de Kanye West

João Siqueira
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Créditos: Imagem/Divulgação

A Pepsi anunciou o cancelamento de seu patrocínio ao Wireless Festival neste domingo (5), um evento programado para ocorrer em Londres entre os dias 10 e 12 de julho. A decisão da empresa foi comunicada horas após a divulgação de que o rapper Kanye West, também conhecido como Ye, seria a principal atração do festival. Este rompimento encerra uma parceria de mais de uma década com a organização do evento.

A colaboração entre a Pepsi e o Wireless Festival, que começou em 2015, era tão consolidada que o evento era oficialmente denominado “Pepsi MAX Presents Wireless”. A retirada do apoio financeiro foi informada por meio de um breve comunicado enviado a veículos de imprensa britânicos, no qual a empresa optou por não citar nominalmente o artista. Posteriormente, a Diageo, conglomerado que detém marcas como Johnnie Walker e Captain Morgan, seguiu o exemplo da Pepsi e também retirou seu patrocínio do festival, reforçando a repercussão da controvérsia.

A contratação de Kanye West para o festival gerou fortes críticas, notadamente do primeiro-ministro britânico Keir Starmer. Em declaração ao jornal britânico “The Sun”, Starmer expressou profunda preocupação com a participação do rapper, relembrando seus comentários antissemitas e homenagens ao nazismo. “É profundamente preocupante que Kanye West tenha sido contratado para se apresentar no Wireless Festival, apesar de suas declarações antissemitas anteriores e de sua homenagem ao nazismo”, afirmou o político, sublinhando a necessidade de combater o antissemitismo em todas as suas formas e garantir a segurança da comunidade judaica na Grã-Bretanha.

As declarações de Kanye West, que se tornaram alvo de polêmica, incluem uma série de episódios desde 2022, nos quais ele manifestou “amor” pelos nazistas e admiração por Adolf Hitler. Durante esse período, o músico também foi associado à venda de itens com suásticas e ao lançamento de uma canção intitulada “Heil Hitler”. Diante da repercussão negativa, o rapper publicou um anúncio no Wall Street Journal no início do ano, financiado por sua marca Yeezy, onde pediu desculpas por ter “magoado” pessoas e negou ser antissemita, declarando que “perdeu o contato com a realidade”.

No texto de sua retratação, Kanye West afirmou lamentar e se sentir profundamente envergonhado por suas ações, comprometendo-se com a responsabilização, tratamento e mudanças significativas, mas ressaltou que isso não justifica seus atos. O cancelamento dos patrocínios pela Pepsi e Diageo, somado à forte oposição de figuras políticas como Keir Starmer, evidencia a pressão pública e corporativa em torno de artistas cujas condutas e declarações geram controvérsia, impactando diretamente eventos culturais de grande porte.

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