
A União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) anunciou a abertura de uma investigação formal para apurar um novo incidente de racismo envolvendo o atacante brasileiro Vinicius Júnior, do Real Madrid. O caso teria ocorrido durante a partida entre Real Madrid e Benfica, válida pela Liga dos Campeões, no Estádio da Luz, em Portugal.
O incidente aconteceu no momento em que Vinicius Júnior, após marcar o gol da vitória do Real Madrid, comemorou com uma dança. Segundo o jogador brasileiro, o argentino Gianluca Prestianni, atleta do Benfica, o teria xingado de “macaco” cinco vezes. Imagens registradas no estádio mostraram Prestianni se aproximando de Vini Júnior com a camisa na boca. A situação levou Vini Júnior e outros companheiros de equipe a reportarem o ocorrido ao árbitro, que prontamente ativou o protocolo da Fifa para casos de racismo, paralisando o jogo por 11 minutos.
Apesar da paralisação e da denúncia, Vinicius Júnior foi advertido com um cartão amarelo pela sua comemoração, enquanto nenhum jogador do Benfica recebeu punição imediata em campo. O colega de equipe de Vini Júnior no Real Madrid, Kylian Mbappé, confirmou ter ouvido os xingamentos e relatou que somente permaneceu na partida a pedido do próprio brasileiro. Mbappé defendeu a expulsão definitiva de Prestianni da competição, enfatizando que “não há lugar para racistas na Liga dos Campeões”.
Por meio das redes sociais, Vinicius Júnior criticou veementemente o protocolo da arbitragem, declarando que “racistas são, acima de tudo, covardes. Eles precisam cobrir a boca com a camisa para mostrar o quão fracos são. Mas eles têm a proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de puni-los. Nada do que aconteceu hoje é novo na minha vida ou na vida da minha família”. Em resposta, Gianluca Prestianni afirmou ter sido mal interpretado, negou qualquer atitude racista e alegou ter recebido ameaças de jogadores do Real Madrid, uma versão que foi respaldada pelo clube português Benfica.
Em decorrência do episódio, a Uefa designou um inspetor de ética e disciplina para conduzir a investigação interna sobre os fatos ocorridos no Estádio da Luz. Conforme o regulamento da entidade, se a acusação de racismo contra o jogador argentino Gianluca Prestianni for comprovada, ele poderá ser suspenso por, no mínimo, dez jogos. Além do incidente envolvendo jogadores, imagens captadas no estádio também revelaram torcedores do Benfica praticando gestos racistas, imitando macacos. A repercussão do caso gerou reações de diversas entidades, incluindo o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que expressou choque e tristeza, e pediu a punição dos responsáveis. No Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) manifestou apoio a Vinicius Júnior em suas redes sociais, e os Ministérios do Esporte e da Igualdade Racial também prestaram solidariedade, afirmando que o governo brasileiro acompanhará a apuração dos fatos, esperando medidas firmes para responsabilizar os envolvidos e prevenir futuros incidentes.