Luciana Gimenez desabafa sobre culpa materna e uso de tecnologia pelos filhos, e recebe alerta de Lucas Jagger

João Siqueira
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Créditos/Reprodução Internet

A apresentadora Luciana Gimenez, de 57 anos, utilizou suas redes sociais no último fim de semana para compartilhar um reflexivo desabafo sobre a culpa materna ligada ao impacto da tecnologia na criação de seus filhos. Ela é mãe de Lucas Jagger, de 27 anos, fruto de seu relacionamento com o cantor Mick Jagger, e de Lorenzo, de 15 anos, do antigo casamento com o apresentador e ex-proprietário da RedeTV!, Marcelo de Carvalho. No vídeo publicado no Instagram, a comunicadora admitiu sentir-se diretamente responsável pelo hábito dos jovens diante das telas e debateu as dificuldades enfrentadas pelos pais na era digital.

“Toda mãe carrega uma culpa no peito, não é mesmo? A maternidade parece que já vem com esse contrato invisível de que em algum momento a gente vai sentir em débito. E hoje se eu for ser bem sincera do fundo do meu coração com vocês, a minha maior culpa tem nome e sobrenome: a tecnologia”, declarou a apresentadora no início da publicação. Na sequência, ela explicou o sentimento de ter perdido o controle sobre a educação dos filhos para os dispositivos móveis, ressaltando o desgaste diário provocado pelas tentativas de impor limites aos adolescentes.

Ao abordar o cotidiano com o filho caçula, Lorenzo, a comunicadora comentou sobre o desgaste constante na rotina familiar e a mudança na dinâmica das relações dentro de casa. “Você vira aquela pessoa a pessoa mais chata da casa. Sabe aquela pessoa que só cobra? Que só corta o barato, que enche o saco, que só estraga o momento do adolescente”, desabafou. Segundo a apresentadora, os repetidos pedidos para que o aparelho seja desligado durante as refeições ou em momentos de convivência a fazem se sentir como um “disco quebrado”.

Luciana enfatizou que a dor maior não advém da desobediência direta do jovem, a quem definiu como um garoto obediente, brilhante, criativo e cheio de talentos. “Dói ver o potencial dele se esvaindo pela tela. Você sabe que tem ali na frente uma pessoa brilhante, criativa, cheia de talentos, que conversa bem, desenha bem, tem ideias incríveis. Mas se você falar para ir criar alguma coisa, ‘vamos desenhar’, a resposta é aquele vazio porque a mão já está colada no telefone: ‘Ai como você é chata’”, relatou.

A apresentadora também analisou o papel da engenharia por trás das redes sociais e a complexidade de combater os mecanismos projetados para prender a atenção. “Não dá para competir com esse algoritmo. Ele foi desenhado para viciar, para dar aquele prazer fácil, e a vida real não funciona nessa velocidade. Até para mim, eu noto. A gente, como adulto, já se pega hipnotizado por isso, mas a gente ainda tem a maturidade de dizer: ‘Poxa, agora chega, agora eu vou ler, vou fazer alguma coisa’. O adolescente não tem esse filtro, e é normal. Ele simplesmente é engolido”, avaliou.

Gimenez ponderou sobre as autocobranças frequentes em relação ao passado e à rigidez no estabelecimento de regras de uso desde os primeiros anos de vida dos filhos. “O que mais corrói a cabeça de uma mãe não é comportamento do filho, que muitas vezes não é nada grave, mas é a cobrança interna que não dá uma trégua. Fala: ‘Gimenez, você poderia ter feito melhor?’, ‘Por que que você não foi mais dura lá atrás?’. Porque a gente tem controle por muito pouco tempo. Depois, a gente perde pouco. ‘Por que que você não impôs mais regras, mais rígidas?’, ‘Por que que você não deixou entrar esse celular tão cedo?’”, questionou-se.

Ela ressaltou o conflito constante entre cobrar atitudes e tentar reinserir o jovem no convívio presencial por meio de atividades como jogos de tabuleiro. “Eu me sinto culpada por cobrar. Eu me sinto terrivelmente culpada por achar que não peguei mais pesado o suficiente quando eu ainda podia. A gente tenta achar formas criativas de puxar eles de volta para o mundo real, tenta fingir costume, tenta brincar, pegar joguinho de board game [tabuleiro] sentar, ter uma brecha para ter cinco minutos de conversa sem uma notificação apitando. Mas o sentimento de fracasso às vezes é inevitável, porque eu sei que ele pode mais. A gente só quer o melhor para eles. Eu precisava desabafar isso porque a gente se isola muito nessa própria culpa”, concluiu.

Nos comentários da postagem, Lucas Jagger reagiu às declarações da mãe trazendo um contraponto sobre a relação dos adultos com os conteúdos digitais atualmente. “Quando eu era adolescente, todos os adultos falavam para mim: ‘Não acredite em tudo que você vê na internet’. E agora estou eu direto falando para essas mesmas pessoas pararem de acreditar em bobagem e vídeo de IA”, escreveu o primogênito da apresentadora.

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